Confissões de um coração rebelde…

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A Árvore e o Pássaro

 

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Lá estava eu…

Uma bela e majestosa árvore, com minha folhagem protuberante, tronco rígido e raízes bem fincadas a terra…

 

De onde estava acompanhava todos os dias a vida acontecer, mesmo que não pudesse fazer muita coisa para participar da mesma…

Se precisava de alimento, dependia que chovesse onde eu estava ou que algum estranho se compadecesse de minha fome, e me desse água.

Estava presa, totalmente dependente, expectadora da vida e de seu curso.

 

Me sentia triste, pois sentia o vento em minha copa, mas não podia me deixar levar por ele…

Via por vezes o por do sol, mas jamais conseguiria ir ao seu encontro…

Olhava as crianças que corriam e se agarravam a minha volta… Ah e como eu gostaria de poder brincar com elas, mas eu era só uma árvore, o que poderia eu fazer se as raízes ali me prendiam?

Nada… Absolutamente nada… Tinha que observar e me contentar com esse papel…

E quantas vezes então fui ferida, arrancaram-me as folhas, os galhos foram quebrados, meu tronco foi dilacerado? E eu ali, passiva, esperando os dias passaram e cada vez mais triste por ter nascido uma árvore… Isso não é destino pra ninguém…

 

Os dias se arrastavam devagar, pra dizer a verdade, eu não via a hora que aquele martírio terminasse… Como e quantas vezes desejei que alguém resolvesse me arrancar dali… Naquele ponto, morrer não parecia tão ruim assim…

 

E em um desses dias como todos os outros que eu vivia, vi uma bela ave, um pássaro lindo, e ele planava e brincava com seu corpo, deixando-se levar pelas correntes de ar, mergulhando no lago próximo dali, voando muito alto, e por diversas vezes, dava rasantes bem rentes ao chão para ver até onde conseguia ir…

Uma coisa mudou em meu coração a partir dali… Como eu gostaria de ser um pássaro… Ir onde desejasse, não ter limites e experimentar aquilo que quisesse, sem depender de ninguém mais, jamais…

 

E esse pássaro passou a ser uma visita constante…

Todos os dias, lá estava ele… Voava, brincava, se alimentava e ia embora… Feliz, com certeza…

 

Esse pássaro tinha uma luz muito bonita, ele irradiava felicidade e liberdade para quem quisesse ver… Eu por minha vez, cada vez mais frustrada com minha condição de árvore dependente e presa ali pra sempre (ou até uma alma caridosa me derrubar) estava murcha, sem graça, sem brilho… Havia caído em minha própria escuridão, e agora a auto piedade era meu consolo, minha fuga… Observar esse pássaro todos os dias era a única coisa que me trazia algo parecido com alegria, pois por alguns momentos me imaginava como ele, e sentia o gostinho da liberdade que tanto almejei.

 

Percebendo minha dor, um dia ele decidiu se aproximar…

Chegou junto a mim, e me perguntou por que estava tão triste… Ele havia notado que eu só ganhava um pouco de luz quando o via voando e isso lhe deixou curioso…

 

Eu lhe contei minha história, contei-lhe da minha infelicidade em ser uma árvore que esse destino me fazia muito triste e que queria muito ser como ele, poder voar, sem destino, sem nada que me prendesse, sem depender de ninguém pra isso. Queria ser livre, fazer minhas próprias escolhas, trilhar meu próprio caminho…

Disse que cada vez que o via voando, tentava alcança-lo, mas as raízes eram fortes, nem sequer conseguia me mover e isso estava me matando.

 

Nunca fui uma árvore muito feliz. Olhava todas as árvores ao meu redor, conformadas e pseudo-felizes com sua condição… Se achavam o máximo, fortes, imponentes… Achavam que todos dependiam delas, quando na verdade, sempre foi o oposto…

Desdenhavam daqueles que não tinham raízes… Chamavam essas pessoas de sem rumo, perdidas, quando na verdade isso se chama ser livre.

Nunca me contentei com o pouco que consegui ali, sabia que minha alma estava destinada a algo maior e melhor e isso era frustrante… Com certeza nascer árvore foi um erro grotesco de quem me criou… Onde já se viu, ao invés de me dar asas, me prender com raízes?

 

O pássaro ouviu todos os meus lamentos e lamúrias, atento a cada detalhe daquilo que meu coração agora dividia com ele…

Percebi que ele riu, a principio achei que estava debochando de minha situação, mas seu riso era de complacência e não ironia…

Ele me disse então que na verdade eu não havia nascido uma árvore. E que eu já não me lembrava de meu passado (outra desvantagem em ser uma árvore, você esquece de muita coisa…).

Ele me contou que na verdade todos nasciam como pássaros… E que hora ou outra da vida, muitos pássaros acabavam sucumbindo a opiniões alheias, ficavam dependentes, perdiam a vontade de voar e explorar, se apegavam a coisas, pessoas e lugares e quando menos esperavam, suas raízes apareciam, se fincavam ao chão e ele se tornava uma árvore, se esquecendo completamente do tempo em que era um pássaro e era livre.

Não podia acreditar nos meus ouvidos… Então todo esse sofrimento, essa dependência, essa vida limitada e mixuruca que eu vivo foi escolha minha? Nossa, como pude permitir-me ser dominada, submetida à vontade alheia dessa forma? Como pude me apegar tanto a necessidade de agradar aos outros a ponto de perder a mim mesma?

E então eu chorei… Chorei como nunca havia chorado antes… Me arrependi amargamente do destino que eu mesma impus para minha vida, me arrependi de tudo o que não tinha vivido por medo, apego e submissão…

 

A linda ave se aproximou, enxugou minhas lágrimas e com seu bico começou a cortar minhas raízes… Nossa, isso doía muito, pedi que parasse, mas ele me disse que sabia o que estava fazendo…

Confiei, agüentei tudo ali… Quando ele conseguiu cortar a última raiz que me prendia a terra, algo mágico aconteceu…

 

Já não tinha mais uma folhagem, mas eu tinha asas… Já não era mais uma árvore, tinha voltado a ser um pássaro…

Meu coração disparou, chorei de felicidade…

 

Eu era livre novamente… Livre para voar pra onde meu coração desejasse, livre para fazer minhas escolhas, para ser feliz… Livre…

 

Agradeci ao pássaro que me salvara… Você mudou minha vida, eu disse…

E ele me disse que não… Na verdade ele sempre esteve ali, mas ninguém nunca havia notado antes de mim, pois estavam todas muito condicionadas as vidas limitadas que escolheram…

Disse que eu estava livre pois meu coração assim o desejou e eu passei a nota-lo nos seus vôos diários, e tudo o que fez foi atender o pedido que meu coração fazia… Queria ser livre e agora era…

Estava de volta ao início, livre como vim ao mundo antes de permitir-me ser aprisionada pelos meus próprios medos, dependências e submissão…

 

Sinto o vento agora sob minhas asas e me deixo levar… A felicidade que a liberdade me trouxe me deu um novo ânimo, soprou vida nova em mim…

Eu que nasci pássaro, me tornei árvore, e me libertei novamente…

 

Vôo para me encontrar com o por do sol…

Vôo em direção ao infinito.

Sem destino.

Sou livre, o amor é meu caminho.

 

Por RebelHeartBR

Vítimas ou Culpados?

Dado a um acontecimento recente específico, fui compelida a escrever sobre esse assunto. Todo mundo que acessa a internet e os canais de notícias, leu a respeito da agrassão cometida pelo cantor americano Chris Brown a sua namorada, a também cantora Rihanna, no fim de semana que passou. Ele foi preso em decorrencia do fato, mas solto mediante pagamento de fiança.


A polícia confirmou aos meios de comunicação que Rihanna apresentava uma série de ferimentos nos braços, pescoço e nariz, o que caracterizava uma agressão bastante grave. Mas o que me fez escrever esse artigo foi o desenrolar da história: Aparentemente já está tudo bem entre eles, e eles continuam juntos após esse episódio.

Quanta falta de amor e respeito próprio. Mas infelizmente o caso dela não é isolado, e hoje em dia temos uma multidão de mulheres que a princípio eram vítimas de uma situação e hoje por escolha se tornaram culpadas pelo que lhes acontece.


Até quando? Acordem!!! Vocês são burras ou o que? O que te leva a aceitar continuar num relacionamento onde a pessoa que está com você não te respeita e coloca sua vida em risco? Será que o tal “amor” e “arrependimento” que ele diz sentir vale a pena? As mulheres precisam acordar, sair de seu estado letargico e tomar as rédeas de suas vidas… Infelizmente vivemos em um mundo onde ainda alguns homens dominam e tratam as mulheres como gato e sapato, e convenhamos, muitas de vocês colaboram pra que isso aconteça, aceitando tudo numa boa, sem contestar, nem reagir.


Esse domínio masculino não se trata somente em casos de agressão, como o de Rihanna, mas também em comportamento. E pareçe que quanto mais cafajeste um homem é, mais encantada fica a idiota da mulher.


Homens românticos, educados, preocupados, doces… Um homem que liga pra saber como você está, que é carinhoso, adora sua compania, um homem sinsível de verdade… Ahhh, pra grande parte das mulheres, um homem assim não tem valor, e deve ser viado, provavelmente segundo a cabeçinha de vento dessas garotas.


Mas não, o que vale pra elas é o maldito “Bad Boy”. Aquele cara que não liga, que fica semanas sem dar notícia, que parece um troglodita, que quer mandar na roupa e nas amizades que você pode ter, que te trata como um simples objeto, literalmente ele te procura quando quer “te comer”, te escraviza emocionalmente… Nossa, esse é o cara! Pra muitas mulheres, isso é homem de verdade. Isso é ter pegada, ser macho… Nossa, quanta burrice junta.


Ai eu me pergunto, você que adora ser tratada como um capacho, como uma opção, como um pedaço de carne e mais uma… A culpa é de quem? Você não tem nem o direito de reclamar, tem mais é que se ferrar mesmo, por que você não sabe dar valor a sí própria. Acha bonitinho ficar andando com esses tipinhos por ai pra exibir pra suas amigas, acha que sexo é tudo só por que os “Bad Boys” segundo você tem mais “pegada” (eu te garanto que os bonzinhos são muito melhores até mesmo nesse quesito, você só é muito burra pra perceber isso…). Você não se ama, não se respeita. Alias, iria até mais longe, você deve se odiar para impor a sí mesma uma situação tão ruim quanto essa.


Então minha cara, da próxima vez que seu “Bad Boy”, seu homem macho, seu namorado diferente, aventureiro e blá blá blá, fizer você chorar, te trair, não ligar por um mês, ser grosso com você, te tratar como um lixo ou até mesmo te agredir, eu só digo uma coisa:


BEM FEITO! Você não o escolheu? Ponto pra você, é isso que você merece. Provavelmente avisada você foi, mas já que você se odeia tanto, qualquer lixo serve pra você…


Enquanto isso, mulheres verdadeiramente inteligentes e bem resolvidas estão com os bonzinhos que não servem pra vocês, se divertindo muito, sendo amadas, adoradas… Em relacionamentos sadíos e verdadeiros.


Fazer o que? Enquanto umas gostam de fruta, outras se contentam em comer o bagaço…

n_o_escrava_mas_de_livre_vontade

Por RebelHeartBR

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