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Hiero Gamos

Hieros gamos (grego ιερός γάμος ou ιερογαμία, o “casamento sagrado” ), é a copula (às vezes casamento), de uma divindade e um homem ou uma mulher, muitas vezes com um significado simbólico e geralmente realizadas na primavera (mais ou menos por volta do equinócio, meados de março).

O Hieros gamos surgiu na Suméria há 5.500 anos. Mais tarde se espalhou pela Europa e se tornou culto oficial de várias religiões pagãs ao longo da história. É comum o surgimento do Hieros gamos ser datado de apenas 2.000 anos atrás.

Nele, a alta sacerdotisa assumia o papel do Avatar da grande deusa Inanna e fazia sexo com o rei ou imperador, que assumia o papel do deus Dumuzi, para mostrar sua aceitação pela deusa como governante justo daquela região, ou simplesmente para comemoras o poder reprodutor feminino. Isto era feito diante da corte, pois naquele tempo não haviam tabus para se praticar sexo em público se fosse em uma cerimônia religiosa.

Os homens da corte usavam longas túnicas pretas e as mulheres vestidos de gaze branca, sendo que ambos usavam máscaras andróginas (brancas e pretas). Eles se posicionavam ao redor de uma circunferência imaginária, deixando o espaço de um círculo entre si. O círculo era o ambiente no qual a alta sacerdotisa e o rei ou imperador realizariam o ato sexual. A corte então se balançava para frente e para trás e entoava cânticos por ora fortes por ora quase inaldíveis.

A únião representada pelo Hieros gamos não era erótica, e sim espiritual. Devemos lembrar que os povos antigos (pré-cristãos) cultuavam a imagem do feminino exatamente pela sua fertilidade, e isso implica o ato sexual. Dessa forma, os antigos acreditavam que o masculino era espiritualmente incompleto antes de ter conhecimento carnal do sagrado feminino. A união física com a mulher (lembrando que a união completa para os filósofos era, ou sempre foi, a união das mãos, das bocas e o sexo) era o único meio segundo o qual o homem podia se tornar espiritualmente completo e chegar a atingir a gnose – o conhecimento do divino.

Desde os tempos de Ísis (antiga deusa egípcia da sexualidade) os ritos sexuais eram considerados a única ponte entre o céu e a terra para os homens. A gnose, fisiologicamente falando, seria o orgasmo ou clímax masculino – uma breve vácuo mental, uma fração de segundo no qual todos os pensamentos ficam ausentes. Na mitologia, nesse instante de êxtase no qual sua mente ficava totalmente vazia, ele podia ver Deus.

Ao contrário do que nos parece hoje, o Hieros gamos não era uma perversão, mas uma cerimônia profundamente sacrossanta, pois do sexo se origina a vida. De acordo com as escrituras, quando Maria Magdala ungiu Jesus no momento que este se sentou para jantar com seu irmão Lázaro e Judas, a fragrância do perfume espalhou-se por toda casa. As escrituras confirmam, ainda, que Maria ungiu não apenas os pés, mas também a sua cabeça, fazendo-o com seus próprios cabelos. Os detalhes desse ato parecem confirmar que aquilo fora um ritual de significado interior profundo. A ação de Maria foi parte de um rito egípcio relativo a Ísis e Osíris, por meio do qual o rei-sacerdote é ungido pela rainha-sacerdotisa em preparação para o seu ritual de união, o hiero gamos ou casamento sagrado.

Fonte: Wikipédia

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